Artigos Científicos

05 de Março de 2012
Suporte odontológico para pacientes oncológicos

INTRODUÇÃO
A saúde bucal faz parte da conservação da vida e abrange o seu bem-estar físico, social e mental. A conscientização sobre a importância da saúde bucal é responsabilidade do cirurgião-dentista e de todos os profissionais da área de saúde. Por este motivo, a medicina bucal tornou-se indispensável nos centros de saúde.

Na oncologia clínica, é imperioso o constante suporte odontológico. Alguns esquemas de quimioterapia levam a uma imunossupressão grave, tornando o paciente mais susceptível a infecções. Se as condições gerais da boca não estiverem satisfatórias, ela pode agir como porta de entrada para microorganismos patogênicos, causando problemas sistêmicos graves para o paciente. Dentre as principais complicações causadas pelo tratamento oncológico, estão às disfunções nas glândulas salivares (xerostomia), infecções oportunistas (principalmente fúngicas: Candida spp) e mucosite. Os sintomas decorrentes destas complicações são: dor, dificuldade para se alimentar, perda de paladar, queimação, edema, dentre outros.

MUCOSITE ORAL
O termo mucosite oral descreve uma inflamação intensa da mucosa que reveste a cavidade bucal e orofaringe, induzida por quimio e/ou radioterapia. Acomete aproximadamente 35%-40% dos pacientes submetidos a quimioterapia. A freqüência e a gravidade são ainda mais relevantes naqueles submetidos a radioterapia convencional para câncer de cabeça e pescoço, bem como nos casos de radio e quimioterapia combinadas.

Múltiplos fatores influenciam a extensão e intensidade da mucosite, incluindo a especificidade da droga, dose, protocolo de administração e a tolerância individual do paciente. Quanto mais jovem, maior a possibilidade de a quimioterapia afetar a mucosa bucal, provavelmente devido ao elevado índice mitótico das células da mucosa bucal.

As lesões ulcerativas da boca e orofaringe desenvolvem-se no período de 7 a 10 dias do início do tratamento. Os sintomas e sinais mais precoces da mucosite oral são a sensação de queimação relatada pelo paciente e o eritema da mucosa. O quadro pode progredir para manchas brancas descamativas solitárias e elevadas que são dolorosas. Com o tempo, a descamação epitelial resulta em múltiplas ulceras rasas com a aparência pseudomembranosa, as quais coalescem para formar lesões grandes e doloridas que causam disfagia e reduzem a ingestão oral.

A mucosite determina graus variáveis de dor e desconforto ao paciente, resultando na queda da qualidade de vida devido aos distúrbios funcionais (mastigação, deglutição e fonação), distúrbios do sono e má higienização da cavidade oral. As lesões bucais aumentam o risco de infecções locais e/ou sistêmicas, comprometendo ainda mais o estado geral do paciente. A toxicidade bucal durante a terapia oncológica pode causar notável desestímulo à continuidade do tratamento.

Tratamento
Alguns bochechos como o digluconato de clorexidina a 0,12%, soluções salinas e solução de bicarbonato de sódio podem ser utilizados. Estes bochechos aumentam a lubrificação oral e estimulam as glândulas salivares a aumentar a sua produção salivar. Também atuam aumentando o pH bucal, dificultando a proliferação bacteriana. Além dos bochechos, os pacientes podem utilizar anestésicos tópicos e agentes de revestimento da mucosa para minimizar o desconforto durante a alimentação.
A laserterapia é uma das formas de tratamento profilático e terapêutico realizado nos pacientes oncológicos para prevenção da mucosite, proporcionando o alivio da dor, maior conforto ao paciente e redução do tempo de cicatrização dos diversos tipos de lesões orais.

XEROSTOMIA
Embora mais relacionada à radioterapia, a alteração da função da glândula salivar também pode ser causada pela quimioterapia. A saliva se torna inicialmente mais espessa e com taxa de eliminação diminuída. Há também acentuada acidificação da saliva com diminuição do pH, devido à alteração nas concentrações de cálcio, sódio e bicarbonato, aumentando ainda o risco à cáries.

As alterações do fluxo, volume e viscosidade salivar podem persistir por anos e a recuperação da produção normal dependerá das características de cada paciente e do percentual de glândula salivar irradiada.

Tratamento
Várias técnicas são descritas na literatura para prevenção e tratamento da xerostomia como, por exemplo, as soluções brandas para bochecho, a estimulação das glândulas salivares com gotas de soluções ácidas na abertura dos ductos salivares, consumo de alimentos fibrosos e goma de mascar sem açúcar, além da ingestão continua de líquidos.
Trabalhos publicados também mostram a eficácia do laser de baixa potência como agente estimulador da salivação em pacientes portadores de xerostomia.

CONCLUSÕES
A avaliação odontológica objetiva o controle do biofilme bucal e a detecção e remoção de focos infecciosos, tais como doença periodontal, abscessos, raízes residuais, traumas, dentes cariados e restaurações infiltradas. Estas condições determinam risco para complicações infecciosas nestes pacientes debilitados. Durante o tratamento são realizadas intervenções terapêuticas com a finalidade de minimizar os efeitos colaterais agudos advindos do tratamento oncológico.

O dentista deve integrar a equipe multidisciplinar que assiste ao paciente oncológico. Todos esses indivíduos devem ser orientados e conscientizados quanto à necessidade e a importância da saúde bucal, bem como a manutenção de uma boa condição de higiene oral, mesmo após o término do tratamento oncológico.

Dra. Safira Marques de Andrade e Silva
Cirurgiã-dentista Especialista e Mestre de Dentística pela USP/BAURU-SP
Doutora em Materiais Dentários pela UNICAMP/PIRACICABA-SP
Professora Adjunta da UNIME-LAURO DE FREITAS-BA
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