12h00

Estratégia bem-sucedida de profilaxia antibiótica adicional para reduzir as infecções graves após a biópsia de próstata; um estudo quase experimental do estado de Michigan.

Compartilhe
Tamanho da Fonte

INTRODUÇÃO

Existe uma preocupação generalizada sobre o aumento das taxas de infecções graves e hospitalizações depois de procedimentos de biópsia prostática transretal guiada por ecografia, sendo a causa mais provável desta tendência o aumento da Prevalência de bactérias resistentes a fluoroquinolonas.
O objetivo deste estudo foi reduzir as hospitalizações relacionadas a infecção depois da biópsia transretal de próstata, por meio de uma Intervenção de melhoria de Qualidade implementada em uma ampla base geográfica do estado de Michigan, Estados Unidos. 

 

CONTEXTO

O estudo foi realizado dentro de uma rede de 30 centros urológicos voltada à melhoria da Qualidade de atendimento do câncer de próstata no estado de Michigan, denominada MUSIC (Michigan Urological Surgery Improvement Collaborative), estabelecida em 2011. Desses 30 centros, na hora do início deste estudo 3 centros já tinham iniciado protocolos de profilaxia antibiótica estendida, e 3 ainda não tinham ingressado na rede, portanto participaram os 24 centros restantes.

 

PACIENTES

No período do estudo (março 2012 até maio de 2014), os 24 centros Participantes implementaram a/s Intervenção/ões do estudo, cada uma em diferentes momentos de tempo (não relatados no artigo), e foram incluídos na análise todos os pacientes nos quais foi realizada uma biópsia transretal de próstata nos períodos pré-implementação (n= 5028) e pós-implementação (n=4087); a Média de idade foi 64 anos (intervalo 28-99).

 

INTERVENÇÃO

Intervenção consistiu em 1 ou 2 das seguintes estratégias de profilaxia antibiótica ampliada: 1) uso de antibióticos guiados com base no cultivo retal (tomado com cotonete) antes da biópsia, ou 2) acréscimo de antibióticos adicionais, no lugar da administração habitual de fluoroquinolonas. Cada centro participante decidiu quais destas estratégias aplicar.
O estudo consistiu de duas fases: na primeira (fase pré-Intervenção), foram relevados os dados de interesse; a posteriori, foi realizada a Intervenção, e os dados de interesse foram novamente medidos no período pós-Intervenção.

 

MEDIDAS DE EVOLUÇÃO

A medida de resultado primário foi a Incidência de hospitalização associada à infecção nos 30 dias posteriores à biópsia, definida como admissão com diagnóstico primário de febre, sepse, infecções do trato urinário ou prostatite aguda.

 

Principais Resultados

Na coorte pré-Intervenção 3458 homens (68,8%) receberam profilaxia com apenas um antibiótico e 1183 (23,5%) com mais de um antibiótico, enquanto que na coorte pós-Intervenção a maioria dos pacientes receberam profilaxia com dois antibióticos (3604, 88,7%), e 215 (5,3%) receberam um antibiótico único guiado pelo cultivo de coleta retal prévia, restando apenas um pequeno número de pacientes (238, 5,8%) que receberam apenas um antibiótico sem guia de cultivo, o qual indica que a Intervenção foi implementada adequadamente em aproximadamente 95% dos pacientes.
Na análise principal (que respeitou o princípio de intenção de tratar), observou-se que no período pré-Intervenção a Taxa de hospitalização a 30 dias relacionada com infecção foi 1,19%, enquanto que no período pós-Intervenção foi reduzido a 0,56%, representando uma redução relativa de 53% na frequência destes eventos (p = 0,002); depois do ajuste multivariado por características do paciente (idade, biópsia prostática prévia, tamanho prostático, e valor de PSA) a Intervenção continuou sendo eficaz (OR 0,51, IC 95% 0,31-0,85).
Não houve diferenças nas taxas de hospitalização por infecção entre o grupo que recebeu profilaxia com mais de um antibiótico (0,58%; n=3625) e o grupo que recebeu profilaxia antibiótica guiada por cultivo retal (0,47%; n=215).
Dispôs-se de dados microbiológicos em 75 dos 83 pacientes internados por infecção (55 do período pré-implementação e 20 do período pós-implementação); o gérmen mais frequentemente encontrado foi o Escherichia coli (92,7% e 90% dos casos em períodos pré-Intervenção e pós-Intervenção, respectivamente), enquanto que foi encontrada resistência às fluoroquinolonas em 78,2% versus 63,2% dos casos de ambos os períodos, respectivamente (p = 0,20). 

 

CONCLUSÃO

A aplicação, em uma rede de múltiplos centros urológicos do estado de Michigan, de estratégias sistemáticas de profilaxia antibiótica adicional voltada à resistência a fluoroquinolonas reduziu as hospitalizações associadas à infecção após a biópsia transretal de próstata em aproximadamente a metade. 
Não se observou diferença significativa entre a profilaxia estendida (acréscimo de um antibiótico adicional à fluoroquinolona) e a profilaxie com antibiótico único guiada por cultivo retal.
O considerável êxito mostrado por estas estratégias neste Contexto de múltiplos centros sugere que poderia ser apropriada e logisticamente possível sua aplicação na biópsia transretal da prática urológica cotidiana

 

FONTES DE FINANCIAMENTO

Doação privada, da família Betz (Betz Family Endowment for Cancer Research).

 

CONTATO

Enviar correspondência a: Department of Urology, University of Michigan, NCRC Building 16, Room 108E, 2800 Plymouth Rd., Ann Arbor, Michigan 48109-2800 (telephone: 734-936-0054; FAX: 734-232-2400), Estados Unidos.
Endereço eletrônico: dcmiller@med.umich.edu.

Rua Baependi, Nº 162
Ondina, Salvador - Bahia
CEP: 40170-070
Tel.: 71 2107-9666
2019. Associação Bahiana de Medicina. Todos os direitos reservados.
Produzido por: Click Interativo - Agência Digital